quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Um retrato das relações afetivas...

Em Avidamente olho para o mundo, Sueli Aduan traça um retrato das relações afetivas que determinam nossa conduta diária. De maneira questionadora e reflexiva, seus personagens transitam num mundo de equívocos e contradições numa busca alucinante de sentido.
 
Os contos e poesias de Sueli Aduan nos convidam a uma viagem às histórias de amor e de não menos desamor, ao instigante e envolvente universo da literatura moderna. Vasto painel, mural panorâmico, retrato sem retoque das relações sociais, culturais, morais, afetivas entre personagens, sábia e comovidamente delineados.
Sua leitura é limpa, objetiva e ao mesmo tempo questionadora e reflexiva, como na poesia Bater de Asas, por onde em simples e curtas linhas, Sueli Aduan descreve com lirismo e subjetividade duas realidades do nosso dia-a-dia: vida com natureza em harmonia, dor em violência e morte. Poemas de protesto, indignação, raiva, humor, amor, paixão, desejo, alucinação. Linguagem objetiva, rápida, nua e crua, mas também densa, entusiástica, extática, fluida, ponto de partida e de chegada de uma imaginação anestesiada da realidade. O lirismo de sua poesia, os seus dons de enredar, a originalidade de seus pontos de vista, como a sua concepção de um estilo pessoal, são características que sutilmente ressurgem nas páginas deste livro. 
Prefácio de Santiago Ribeiro
 
Poemas e Contos
Junho de 2011
ISBN: 978-85-7961-451-4
Selo Terceira Margem – Editora Multifoco
 
Recomendo :o)
 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"A Sensibilidade do Intelecto"

Fayga Ostrower aborda neste livro a sensibilidade e o intelecto, em conjunto, como fonte da imaginação e do poder criativo dos homens. Sempre baseada em exemplos concretos, a autora mostra que, nas várias épocas, existem correspondências significativas entre o pensamento artístico e o científico
 Leandro Konder, escritor e filósofo, escreveu: "Neste livro Fayga Ostrower se debruça, com paciência, sobre alguns dos problemas mais complexos e mais importantes da estética. Examina com incansável atenção o modo inevitavelmente ativo e seletivo que os seres humanos têm de perceber a realidade, o contexto em que se encontram: antes da percepção, os sujeitos humanos já estão predispostos a interpretar as impressões que lhes chegam de acordo com certas conveniências vitais.

A percepção, como nos ensinam os teóricos da “Gestalt”, é uma síntese. E não é “neutra”. Fayga nos convida a refletir sobre o fato de estarmos sempre construindo e reconstruindo imagens globais em nossas mentes, num “jogo” cujas regras estão constantemente mudando. E nos adverte que: os momentos em que conseguimos comunicar algo significativo sobre o nosso encontro com a 'beleza essencial' são momentos gloriosos. “Sentimo-nos vivos, inteiramente vivos, e ainda participando de uma Humanidade Maior'".


A Sensibilidade do Intelecto – Ed. Campus- RJ- 1998.
- Prêmio Literário Jabuti, 1999-

É maravilhoso!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Crivo de Papel"

 O livro reúne quinze dos ensaios mais recentes de Benedito Nunes. Alguns têm como centro  a Literatura ( Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, a historiografia literária do Brasil), enquanto outros põem em foco a Filosofia e os seus vínculos com a História, a Teologia, a Ética, a Poesia. Em todos eles, o leitor encontra a lucidez e a vitalidade características de um dos nossos maiores autores.

O traço que sempre distinguiu Benedito Nunes no ambiente intelectual brasileiro foi sua capacidade de aliar, com muita propriedade, a análise literária e a filosófica numa mesma experiência de leitrua e reflexão. Nela, literatura e filosofia não se curvam uma diante da outra, mas ambas cooperam, questionando-se e iluminando-se reciprocamente.

Deslumbrante!!!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Tempo Vivo da Memória

Neste livro de admirável sensibilidade humana, Ecléa Bosi explora o campo de experiência pessoal com os eventos do dia-a-dia, registrados na lembrança, contados para outrem. Não é a memória que se tranca em si mesma, mas a que partilha seus conteúdos quando há um ouvido disponível e atento, e que os define, no próprio ato de contar. Há uma história oficial, a dos manuais e das datas importantes que todos nós quando estudantes, e sob protesto, tivemos de decorar. À que se refere Ecléa é outra história, a de cada um, construída ao longo da vida, a partir de um cotidiano muitas vezes corriqueiro, mas sempre relevante.  A toda hora, somos capazes de recuperar aspectos de nosso passado: é como se nos contássemos histórias a nós mesmos, alguns chegam a registrá-las em forma de diário.  Mas o relato primordial é o que pode ser feito a outras pessoas: através dele, o que vivemos e que é bem nosso ganha uma dimensão social, obtém testemunhas (mesmo que a posteriori), faz com que os outros ampliem sua experiência, através das nossas palavras. Há troca e cumplicidade.  César Ades

Viver, para Contar (a vida), o título das memórias de Gabriel García Marquez, serve para todos nós. Viver algo notável gera a necessidade de contar: você sabe o que eu vi? Você sabe o que me aconteceu? E tudo o que nos acontece é notável porque nos concerne. É interessante notar que estudiosos supõem ter a linguagem se originado, em nossa espécie, a partir da representação de situações sociais; talvez se possa dizer, parafraseando García Márquez, que se nos lembramos é para poder contar.

Excelente!!!


segunda-feira, 18 de julho de 2011

"1968 - Eles só queriam mudar o mundo”


Regina Zappa e Ernesto Soto

Narra os principais eventos políticos e culturais  e as mudanças de comportamento da época, no Brasil e no mundo. Escrito pelos jornalistas Regina Zappa e Ernesto Soto em luguagem emocionada, com suspense e opinião, é organizado mês a mês, como um verdadeiro almanaque ilustrado da geração que disse não ao conformismo.

Esse olhar crítico, quatro décadas depois, é reforçado pro entrevistas com e personalizadas que viveram o período, como os compositores Chico Buarque e Edu Lobo, o ex- deputado Wladimir Palmeira, o documentarista  Vladimir Carvalho, o filósofo Alcione Araújo. Com histórias saborosas, letras de músicas e listas de filmes e canções, o livro conta ainda com colaborações inéditas.

É excelente!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

"Um caminho com o coração"

Talvez o livro mais importante até agora escrito sobre meditação, sobre o processo de transformação interior e a integração da prática espiritual no modo de vida atual. Um caminho com o coração traz à tona, um por um, todos os desafios da vida espiritual no mundo moderno. Escrito por um psicanalista, professor e mestre em meditação de renome internacional, este livro inspirador e especializado percorre uma vasta gama de questões essenciais, incluindo várias que raramente são tratadas em obras dessa natureza. Desde a compaixão, os vícios e a cura psicológica e emocional, desde o trato com problemas que envolvem os relacionamentos e a sexualidade até a criação de uma simplicidade e equilíbrio zen em todas as facetas da vida, fala às preocupações de muitos buscadores espirituais modernos, tanto os que se iniciam no caminho como os que já têm muitos anos de experiência. Um Caminho com o Coração oferece ao leitor uma série de técnicas, de práticas, de meditações dirigidas, de histórias, de Koans e de outras pérolas da sabedoria milenar que podem ajudar o leitor em sua jornada.

Sobre o Autor: Jack Kornfield – Doutor em psicologia, psicanalista e instrutor budista. Autor de vários livros. Recebeu seu treinamento de monge budista na Tailândia, na Índia e na Birmânia. Desde 1974, tem ensinado meditação no mundo inteiro e foi um dos principais introdutores da prática do budismo theravada no Ocidente. O foco de seu trabalho é a integração dos grandes ensinamentos espirituais do Oriente à cultura do Ocidente, de um modo acessível ao estudante ocidental.

Excelente!!!

sábado, 18 de junho de 2011

'Língua Crônica' de Fernanda Aragão

Prefácio
Um olhar que rói os ossos e ajoelha a língua

A Fernanda de Aragão é sintagma, não solidão. Traz em si a doença crônica dos sujeitos. Ora mansa, ora não, ela conjuga o verbo em todos os pronomes e solta a mão no teclado para descer a língua. Combinada. “Tá, vocês venceram, eu me rendo!” Foi no entremeio do jogo da vida que ela resolveu se publicar. E fazer mais disso e daquilo, e também. Ela, a pessoa, das escolhas, “as minhas escolhas. Eu que isso, eu que aquilo”. Registra. As palavras, no texto da Fernanda, rebolam. - Ah, sim. Interface, a medida mais exata do entre. Nem mais e nem menos. Do tamanho. E, trincolejam. Todo mundo quer é estar dentro mesmo estando fora. O que me faz buraco e o que me lota, o que me deixa furo. Nós isto, nós aquilo, nós para todo lado. E vai e vem. Ela pede desculpa à certeza das palavras, só quer é prosear.Reflexiva, desnuda-se. Os pensamentos feitos no esforço de se revelar existir uma inocência que se fez madura antes que ela se desse por conta. De uma forma atemporal, fazem da letra subjetividade, vaticina. Há um tu que está no limite. Há um quê que grita, apita, duvida. A língua agoniza.Criativa, ela se institucionaliza em texto “na abertura de meus capitais EU S/A jurei transparência, honestidade e lealdade”. E se impacienta logo para trico-tricos e lero-leros cheios de estrelinhas e sóiszinhos. Sua escrita é firme. Ágil. Nela vêm Zé Damasco, Feliciana, Maria Olívia, a bi Francisca e por que não um eu ou um você, no andamento e no compasso? Não se pode negar, há quem faça da narrativa do outro seu próprio sonho de liberdade. O texto espelha. A calma aparente lhe maquia a face, disfarça o barulho por metro quadrado que ela, em ficção, teme. E, no real a irrita. É tão presente que Fernanda em recortes poetiza: “Há sempre ruídos desconexos pelo meu corpo, os sons da cidade que ficam perambulando, perambulando, perambulando. [...] Deveria existir um eu em algum lugar da cidade. Então quando eu quis me encontrar, me encontrei urbe. [...] Faz tempo que eu não me pertenço, olhos no horizonte, edifícios abandonados”. A crônica a encontra. É para além da nova tendência “mulheres seguras, homens assustados” que Fernanda escreve. Ela inventa, pois gente de pacote incomoda e sua sina é encontrar gente com gente de verdade e não com imitação. Ainda que no papel. O suporte de você num outro. Língua Crônica. São instantes feitos para rever um quem sou. Sem aspas se constrói a autora. E eu, plagiando, a leio. Afinal, nascemos, vivemos e morremos metáforas lidas por um outro em quem nos reconhecemos (ou não). Em cem páginas ou mais, não menos. Ou foi o “meu” olhar Maputo?
Solange Pereira Pinto

eu simplesmente adorei!!!!